
Todo mundo sabe que peito de mãe não tem dono.
A gente passa a vida guardando os peitos dos olhares alheios pra descobrir que, uma vez mãe, o peito cai na roda e se mostra para quem estiver por perto, sem respeitar raça, cor ou credo. Acontece que o peito fica à total disposição nossos filhos, na hora e local em que eles bem entenderem. Azar de quem não gostar - no caso, a proprietária do par em questão.
Comigo começou no pré-parto. A camisolinha semi-transparente do hospital não cobria nada, e dá-lhe visitas de boa sorte. Em vias de parir, a última coisa na minha cabeça era o fato de estar expondo os peitos pras visitas, até porque eu estava prestes a expor coisas bem mais íntimas para pessoas bem menos íntimas.
Quando Gabrielle, com horinhas de nascida, veio para o meu colo, veio junto a mão da enfermeira, sem a menor cerimônia, pra pegar meu mamilo enfiar na boca da pobre criança.
Pronto, perdi os peitos, pensei.
De fato, eles viraram domínio público dali em diante. Precisando, saco a peitola e faço o serviço onde for preciso. A Gabi nem sempre coopera e, bobinha, dá de não encontrar o mamilo nas horas mais embaraçosas, adiando por longos minutos a conveniente cobertura mamária proporcionada pelo cabeção.
Some-se isso ao fato de mamilos rachados precisarem de ar pra cicatrizar e inviabilizarem qualquer tentativa de se colocar uma blusa: eu agora ando semi-desnuda pela casa, tal qual uma índia tupinambá. Na frente das visitas, inclusive. De vizinhos a amigos mais chegados, não escapou ninguém. Paguei peitinho na frente de amiga, Namorado de amiga, Pai de amiga, Sogro, sogra, tios, cunhado. E por aí vai.
É tipo calcinha da Britney Spears: só não viu quem não quis.
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